A conexão de internet móvel -por celular ou tablet 3G- no Brasil tem mais falhas que as permitidas pela Anatel, reguladora do setor.
O mesmo acontece com o envio de mensagens de texto. O resultado foi divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações.
A agência avaliou o desempenho técnico das operadoras de telefonia móvel de agosto a outubro do ano passado e constatou que as quatro maiores empresas do país -Vivo, TIM, Claro e Oi- não atingiram o percentual mínimo de qualidade para tráfego de dados.
No caso da internet e do SMS, 98% de todo o tráfego deveria acontecer sem falhas de envio ou de conexão, segundo o parâmetro da Anatel. Na média, as empresas fecharam o trimestre em 96%. Ou seja, a cada 100 conexões ou envios de mensagem, 4 falham -o dobro do permitido.
Esse é o primeiro estudo feito pela agência desde que as teles tiveram suspensas a venda de novos chips, no ano passado. A punição atingiu TIM, Oi e Claro e foi justificada pela Anatel com o alto índice de reclamações dos consumidores: em cada unidade federativa do país, foi suspensa a tele com mais queixas.
Desta vez a Anatel informou que não irá punir nenhuma das operadoras, mas que medidas “severas” podem ser tomadas “se necessário”.
No início de agosto, a qualidade dos serviços de dados chegou a atingir a marca ideal, mas houve uma piora acentuada em setembro, com leve evolução nos meses subsequentes, mas desempenho ainda insuficiente.
As empresas dizem estar investindo para melhorar o serviço.
LIGAÇÕES
Já a qualidade das ligações feitas e recebidas nos celulares se manteve acima da meta no trimestre avaliado.
Nesse caso, a agência tem uma exigência menor: 95% das chamadas precisam transcorrer sem falhas de completamento ou interrupções. Em outubro, o nível estava em 97%.
Para a próxima avaliação das operadoras, relativa ao trimestre novembro-janeiro, a Anatel quer encontrar sinais de evolução nos seguintes critérios: cobrança (entrega das faturas e detalhamento das contas), informações ao usuário (transparência sobre planos de serviços, promoções e serviços adicionais) e investimentos (na infraestrutura e na rede de dados).
OUTRO LADO
Setor diz que investe para cumprir meta
Por meio de nota, as operadoras TIM, Vivo, Oi e Claro informaram que estão comprometidas com as metas estabelecidas pela Anatel.
O sindicato das operadoras, o SindiTelebrasil, afirmou que há um aumento real do investimento das empresas para melhorar o atendimento aos clientes.
Conexão 4G terá que acelerar e cobrir estradas
Ao licitar, em 2014, a nova faixa da internet móvel de quarta geração (4G), o governo vai exigir que a velocidade do serviço oferecido pelas operadoras seja de pelo menos 10 Mbps (megabits por segundo) em diversas localidades, o equivalente a dez vezes a velocidade oferecida pela tecnologia atual, 3G.
A determinação virá acompanhada de outra obrigação para as teles: o sinal do celular terá de funcionar nas estradas brasileiras.
A faixa do 4G irá operar na frequência de 700 MHz, atualmente exclusiva para emissoras de TV, e que comporta tecnologia digital e analógica. Hoje, o Ministério das Comunicações publica a portaria que irá destinar essa frequência de longo alcance às empresas de telefonia móvel.
Trata-se do primeiro passo para definir as condições do leilão, previsto para o início do ano que vem. A medida vai acabar com o sinal analógico, abrindo espaço para a expansão da internet 4G.
Essa tecnologia amplia o alcance do sinal, inclusive em ambientes fechados, e diminui o custo da infraestutura para operadoras, que precisam instalar menos antenas.
Quase 30% dos equipamentos digitais só funcionam em 700 MHz. Os Estados Unidos, por exemplo, já fizeram seus leilões e usam a frequência para a telefonia celular.
“Não faremos nada de forma açodada, vamos conversar e debater muito”, disse à Folha o ministro Paulo Bernardo (Comunicações).
“Queremos transformar a velocidade de 10 megabits em uma commodity. O 4G, por exemplo, vai ter que ser nesse patamar mínimo.”
Na segunda-feira, a Folha antecipou a decisão do Executivo de publicar a portaria.
REAÇÃO DA TV
O setor de radiodifusão vem reagindo fortemente à medida, sob argumento de que a digitalização provocará interferência na transmissão dos canais de TV e pode resultar em falta de espaço na faixa dos 700 MHz.
“Daremos garantia para todas as empresas de que não haverá interferência. Temos estudos que comprovam isso”, afirmou o ministro.
Quando o governo leiloou, no ano passado, a primeira frequência para implantação do 4G, as ganhadoras tiveram de se comprometer a levar internet ao interior do país.
O novo plano exigirá um reforço da política industrial, com ampliação da oferta de aparelhos televisores digitais, concessão de crédito, benefícios fiscais e subsídios para tornar a tecnologia acessível.
O objetivo é começar os desligamentos da TV analógica a partir de 2015, Estado por Estado. Isso evita que haja uma corrida dos consumidores, ao mesmo tempo, para trocar televisores ou adquirir conversores. O cronograma inicial previa esse desligamento para junho de 2016.
Postado em 07 fevereiro 2013 às 13:21. Voce pode acompanhar esta notícia assinando o nosso RSS 2.0. Voce pode deixar uma resposta.
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