Dólar tem maior desvalorização em um mês

A captação externa bilionária conduzida ontem pela Petrobras ajudou a derrubar o dólar, que fechou em queda de 0,74%, sua maior baixa desde 5 de abril. Desde o início do pregão a moeda já operava em baixa, descolada do exterior, graças a melhora no fluxo de recursos para o país. Nem mesmo o aumento nas apostas de uma antecipação do processo de retirada de estímulos econômicos nos Estados Unidos foi capaz de evitar que o dólar caísse ante o real, ao contrário do que ocorreu em relação a seus principais pares.

“Esse movimento reflete bem a captação da Petrobras. Esses dólares entrarão rápido no mercado”, disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. Segundo ele, os fluxos de entrada foram suficientes até mesmo para compensar a saída de estrangeiros da Bovespa registrada ontem e que ajudou a derrubar o Ibovespa.

A Petrobras captou US$ 11 bilhões com a emissão de seis tranches diferentes de bônus externos, em operação com demanda de US$ 41 bilhões. Essa foi a maior captação na história promovida por uma empresa com sede em país emergente. Em todos os vencimentos, a companhia conseguiu spreads (diferença entre as taxas dos papéis em relação aos títulos do governo americano de prazo semelhante) melhores que os previstos inicialmente pela companhia.

A operação se segue à captação de US$ 800 milhões pelo Tesouro Nacional na quinta-feira passada, com a reabertura da emissão de bônus globais para 2023. A transação marcou a primeira vez que uma emissão do governo registrou spread inferior a 100 pontos-base em relação a Treasuries de prazo equivalente.

Segundo Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, a especulação em torno da antecipação do processo de retirada dos estímulos do programa de afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos poderia ter feito o dólar aqui subir, a exemplo do que se observou no exterior. Mas os fluxos positivos foram mais que suficientes para compensar essa potencial força de alta sobre a moeda. “Era de se esperar uma pressão mais de desvalorização do real”, disse. “Mas a melhora nos fluxos contrabalança essas forças de depreciação do real.”

A alta do dólar ontem no exterior veio na esteira de notícia, publicada pelo “The Wall Street Journal”, de que o Federal Reserve já teria preparado sua estratégia para reduzir o volume de recompras mensais de títulos do Tesouro americano. Em pesquisa feita pelo próprio jornal, mais da metade dos 49 economistas consultados disse acreditar que o Fed começará a reduzir o volume de compras ainda neste ano.

“As discussões sobre a redução do QE realmente começam a afetar o mercado”, disse Rosa. “Enquanto outros BCs expandem seus balanços, colocando pressão de baixa sobre suas moedas, a discussão no Fed sobre retirada de estímulos, precipitada ou não, reforça a ideia de que o dólar pode se valorizar.”

Segundo operadores, outro fator que contribuiu para a queda do dólar ontem foi o fato de a moeda ter fechado, na sexta-feira, muito próxima do limite superior da banda cambial informal defendida pelo Banco Central (BC). Grande parte dos operadores vê esse teto entre R$ 2,02 e R$ 2,05 e, à medida que a moeda encosta nesse nível, as ordens de compra perdem um pouco de força.

 

Fonte: Valor Econômico

Postado em 16 maio 2013 às 11:16. Voce pode acompanhar esta notícia assinando o nosso RSS 2.0. Voce pode deixar uma resposta.

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